segunda-feira, 20 de maio de 2013

Corrida da Ponte Rio-Niterói - 19-5-2013




A Ponte Presidente Costa e Silva, mais conhecida como Ponte Rio- Niterói, foi construída em 1974, chegando a ser a 2a. maior ponte do mundo e até hoje é a maior  da América do Sul, com exatos 13,29 km de extensão (8,83km sobre a água).

Une, por sobre a Baía de Guanabara, Niterói ao Rio de Janeiro e o visual de quem nela transita é muito bonito, mas só pode ser apreciado de dentro do carro,uma vez que a ponte é proibida para pedestre.

Proibida, menos uma vez no ano: no dia da Corrida da Ponte, que oficialmente tem 21,4km, mas que no meu gps e no de amigos, no dia 19 de maio, deu 21,600km.

Essa prova já fez  parte do calendário nacional nos anos 80, sendo supensa no início da década de 90 quando em 2011 tiveram a brilhante ideia de ressuscitá-la.

Desde sua 1ª. reedição que sonho em participar mas tanto em 2011 como em 2012 não foi possível.
Na 3ª. edição finalmente eu estava lá.

Para começar, os números da corrida impressionam. Somente de pessoal para trabalhar no dia do evento, entre organização, staffs, pessoal de trânsito, pessoal das barcas, médicos, etc, são 2 mil pessoas!
E, com tanta gente envolvida, o resultado foi um show de organização.

Já na entrega do kit, na Praça XV, centro do Rio de Janeiro, a organização estava impecável. Sem filas e com as pessoas dando todas as explicações detalhadas para os corredores.





Lucílio, o ìndio, eu e Lorena - uma pangaré no meio de feras

Logo que chegamos, recebemos um termo de compromisso onde colocamos o tempo previsto para conclusão da prova. Com esse tempo estimado  a organização dava uma pulseira colorida de acordo com essa previsão, pois a largada seria em ondas. 


Entrega kits

Outra diferença é que teríamos que usar 2 números: um na frente da camisa e outro atrás. Isso para facilitar a identificação do corredor para atendimento médico, pelo helicóptero e para o “corte”.

Sim, a prova, que exige no ato de inscrição comprovação de 2 meias maratonas feitas nos últimos dois anos com o tempo máximo de 2:45h  ou duas maratonas com o tempo máximo de 5:30h tem o tempo limite de conclusão de 2:45h e o atleta que não estiver dentro desse tempo é recolhido pelo ônibus que vai no final.


Percurso do dia seguinte
 
Tudo muito explicado, um kit com uma camisa, boné, garrafinha e o ticket da barca para fazer a travessia no dia seguinte.



Para quem fosse sair do Rio e tivesse feito a opção de pegar a barca, elas estavam disponíveis em 4 horários: 5:30, 6, 6:30 e 6:45h.


Camiseta pronta com a bandeirinha de Fortaleza

Cheguei no terminal das barcas com amigos cedo para pegar a das 6h e a “muvuca” de corredores já era grande.


Entrando na barca

Na animação de sempre fizemos a travessia com o sol nascendo e a beleza do visual já começou naquele momento, com as águas calmas da Baía da Guanabara e o Pão de Açúcar ao fundo.


Curtindo o visual da barca. Pão de Açúcar amanhecendo


Ao longe, a ponte que teríamos que vencer


Em Niterói já tinha boa parte dos 8 mil corredores inscritos na prova.


Concentração em Niterói

Teatro Popular Oscar Niemeyer

A organização continuou, com staffs sempre disponíveis e orientando a todos. Até os banheiros femininos e masculinos eram separados um dos outros e sem filas!



Do lado oposto, o Rio...

A prova teve 5 largadas.
Às 7:10 teve a largada da elite feminina. Às 7:30 a largada da elite masculina e os atletas que estavam com a pulseira branca e que faziam parte da 1ª. onda. A partir daí, a cada 1 minuto largava uma onda, de acordo com a cor da pulseira e do tempo estimado de conclusão.

Pensei que isso seria “furado”, pois nas provas das quais participei aqui no Brasil com largada por  “pace” , não vi funcionar, devido o desrespeito das pessoas. Mas na Corrida da Ponte havia uma espécie de funil com um portão fechado e staffs controlando. O locutor então chamava cada onda pela cor e na hora da largada abriam os portões e os staffs ficavam observando e controlando as cores das pulseiras dos corredores. Perfeito.



Ainda andamos alguns metros para passar pela largada e começamos a correr ainda pelas ruas de Niterói, com muitas pessoas da cidade na rua assistindo e torcendo. Logo, logo entramos na ponte, com uma faixa bem separada para nós e as outras faixas com os carros, com os ocupantes torcendo também.



O visual é lindo. Claro que seria mais bonito ainda se ficássemos do lado da pista com vista direta para o Pão de Açúcar, mas ficamos na pista contrária. Tudo bem. Era lindo também.


Visual da prova




O lado oposto

Trânsito hiper organizado, água gelada e abundante a cada 3km (por vezes até menos que isso), 2 postos de isotônico e chuveiros no km 15 para refrescar os mais calorentos.
Nos anos anteriores houve muitas reclamações devido ao calor, mas este ano largamos com 20ºC e ao longo da prova o tempo pouco mudou.



Ou seja, foi tudo perfeito.

Para coroar, ao final dos 21.650km, uma medalha lindona.


Com Cátia. Amizade feita na São Silvestre 2008

Excelente prova! Aprovadíssima e recomendada.






terça-feira, 14 de maio de 2013

Puerto Natales e Torres del Paine - final



Nosso 2a. dia de trilha era para o Vale Francês.

Acordamos cedo, tomamos café e às 8 horas estávamos caminhando.
O dia estava meio nublado e um pouco mais frio que na manhã anterior.

Nas primeiras 2,5 horas de caminhada, que nos leva até o acampamento italiano, a trilha com 7,6km é considerada fácil. E realmente o é. Com muitos córregos pelo caminho e, consequentemente, muita lama.



Passamos pelo lago Skottsberg  com seu azul impressionante e antes de chegarmos ao acampamento italiano tivemos que atravessar um ponte pênsil sobre o Rio Francês. Peeense no medo!!!!!  Me senti naqueles filmes do Indiana Jones, mas era encarar ou voltar. :)


Lago Skottsberg



Ora, duas! Não passaria com outra pessoa nem amarrada!



Morrendo de medo!




Desse ponto já tínhamos uma visão do vale, com o rio Francês e uma cadeia de montanhas.
Lindo, lindo, lindo.


Será que ainda falta muito??

A partir daí, seriam mais 5,5 km (aproximadamente mais 2,5 horas) para o final da trilha, no acampamento britânico e pensei que estávamos em uma trilha errada.
A trilha de terra se transformou em pedras. Somente pedras. E pior: subindo!


E agora?



É por aqui mesmo? Certeza?

Não acreditei, mas era assim mesmo. As pessoas passavam por nós com seus bastões de caminhada, o que facilitava bastante, mas nós íamos escolhendo com cuidado os locais onde colocar os pés e apoiar as mãos.
Mais 40 minutos assim e.... tá bom demais. Lindo o Vale Francês! Não precisamos ir até o fim. A paisagem até aqui já valeu à pena. Meia volta volver. Rsrrs


Companhia na hora do nosso lanche





E foi assim minha experiência em trilhas. Foi muito legal, mas acho que sou meio impaciente pra ficar horas e horas caminhando, mesmo que o visual seja tão espetacular quanto TDP.

Voltamos para o refúgio, jantamos e era hora de dormir. 


Lugar disputado no refúgio no final do dia

No dia seguinte não tínhamos pressa. O catamarã só sairia meio dia, então deixamos pra tomar o café mais tarde, arrumamos as coisas e ficamos de bobeira no refúgio, observando  a paisagem até a hora de irmos embora.


"Gravando" a paisagem na memória antes de ir embora






À espera do catamarã



E lá vem o catamarã.....

Chegamos em Porto Natales ainda cedo,  caminhamos até o mar  e resistimos ao frio de 8ºC, para assistir  um belíssimo por do sol e, depois de rodar muito à procura de um restaurante, terminamos nossa inesquecível experiência naquele pedaço da Patagônia Chilena em uma pizzaria, que por sinal, não sei se devido à fome,  tinha uma pizza deliciosa.

Ainda dorminos em Puerto Natales para no dia seguinte fazermos a viagem de ônibus para El Calafate e enfrentar o loooongo percurso de volta à Fortaleza, cansada mas extremamente encantada com tudo que vi.


Por do sol em Puerto Natales









Dicas para quem vai:

Ônibus de El Calafate para Porto Natales: 150 pesos argentinos (R$ 60,00). Umas 5 horas de viagem, contando com a parada na fronteira.

Em Porto Natales tem tudo que você precisa comprar ou alugar se for acampar ou mesmo se quiser coisas básicas para trilhas.

A palestra no Erratic Rock é todos os dias às 15h,. Se você entender inglês, não deixe de ir.

Se for alta estação, faça a reserva no refúgio com antecedência. Se for na baixa, não tem necessidade. A agência  Austral Glacier (http://www.australglacier.com/) que fica em Porto Natales fecha todos os passeios e refúgios sem cobrar comissão e com segurança.

Ônibus de Puerto Natales para TDP: 15mil pesos chilenos (R$ 65,00)

Entrada no Parque Torres Del Paine: 18mil pesos chilenos (R$ 75,00)

Catamarã:12 mil pesos chilenos (R$ 50,00) por cada viagem. Se você comprar logo ida/volta, sai por 19 mil (R$ 80,00)

Refúgio Paine Grande: diária de  U$ 75,00 por pessoa com café da manhã (esse valor varia um pouco de acordo com a época do ano).
                                         almoço ou jantar : +ou-  R$ 40,00
                                       

B&B em Porto Natales: http://www.erraticrock.com/hostel/
                                      diária apto duplo: 32 mil pesos chilenos

terça-feira, 7 de maio de 2013

Puerto Natales e Torres Del Paine (TDP)



Estava na hora de deixar a Patagônia Argentina e ir conhecer um pouquinho da Patagônia Chilena, mais precisamente o Parque Nacional Torres Del Paine.





Pegamos então um ônibus para a cidade chilena de Puerto Natales, quase no finzinho do mundo.
São menos de 400km, mas temos que passar pela alfândega e a viagem leva cerca de 5 horas.

 
Guanacos na estrada


Fronteira Argentina/Chile
 
Bem maior do que El Calafate, apesar de ser o principal ponto de entrada dos turistas para Torres del Paine, Puerto Natales não tem o “ar” turístico da cidade argentina. 


Puerto Natales
 
Por indicação do meu irmão fui assistir a uma explicação gratuita  que um americano faz diariamente no Hostel Erratic Rock.
Durante mais de 1 hora ele fala sobre o parque, as trilhas, os cuidados que devemos ter, as roupas que devemos usar, a comida, o clima patagônico, etc, etc e concluí que estávamos 99,9% despreparados para aquela aventura.
As pessoas ao meu redor, de várias nacionalidades, aparentavam ser “habitués” nas trilhas e caminhadas, iriam inclusive acampar, enquanto que eu só tinha feito a trilha da Pedra Rajada em Maranguape, usando tênis e shorts e ainda assim há uns bons anos....
Não nego que deu um medinho e até passou pela cabeça a ideia de desistir. Mas claro que não faria isso.
A explicação vale muito à pena, mas infelizmente ela só é feita em inglês.

Vamos em frente. Nós não iríamos acampar nem nada.... Menos mal.
Seguimos então para fazer a reserva do refúgio (tipo um alojamento), comprar biscoitos e lanches para serem consumidos nas trilhas, fechar o transporte para o dia seguinte e pronto. Seja o que Deus quiser.

O Parque Nacional Torres Del Paine foi declarado pela Unesco Reserva Mundial da Biosfera. 
Possui 2.400 km² com lagos, glaciares, rios e cascatas.

Existem percursos que podem ser feitos de carro, mas as trilhas são extremamente movimentadas e famosas.
Quando estava nas minhas pesquisas para a viagem, vi em um site que TDP é considerada a Disneylândia dos trilheiros e amantes da natureza.
 
São 120km de trilhas muito bem sinalizadas e os percursos mais populares são o “W”, que pode ser feito em 3 ou 4 dias e o “circuito” que é bem mais longo e demora uns 7 a 8 dias para ser percorrido.

O ônibus passou no nosso hotel às 7:30 da manhã  e depois de passar pelos outros hotéis, fazer uma paradinha básica na estrada, parar no parque para nos registrarmos e pagarmos a entrada, finalmente nos deixou às margens do Lago Pehoé de onde, ao meio dia, pegamos o catamarã, que em 30 minutos nos deixou no Refúgio Paine Grande, nossa base pelos próximos 2 dias.
Desse local temos uma bela visão das torres. Justamente as que dão o nome ao parque.
Infelizmente nesse dia elas estavam com seus cumes encobertos por nuvens.


As torres encobertas pelas nuvens

Muitas pessoas já ficam ali, pegam vans e seguem para a base das torres. De lá começam a trilha em "W".
Nós também faríamos o "W", quer dizer, duas "pernas" dele, mas começando pelo lado oposto.









Pelo que pude perceber, a grande maioria das pessoas faz as trilhas acampando. Para isso, existem os locais próprios para acampamento. 

Para os que preferem um pouco mais de conforto, existem os refúgios que são alojamentos com quartos  e banheiros comuns.
Existem hotéis no parque, mas não dentro das trilhas principais.

O Refúgio Paine Grande foi uma surpresa pra mim. Achei bem melhor do que imaginava. Tudo muito limpo, quarto com 6 camas (beliches), cobertores, toalhas, sabonete, banheiros masculinos e femininos com boxes com banho quente, um pequeno mercadinho e um refeitório onde são servidos o café da manhã, almoço e jantar, além de um bar.
Isso sem contar que fica num local extremamente belo, às margens do Lago Pehoé, de um azul hipnotizante.


Refúgio Paine Grande e o Lago



Nosso quarto



Visão do nosso quarto

Como estávamos no começo da baixa temporada, tivemos sorte, pois a movimentação nas trilhas já era pequena, inclusive com alguns refúgios e áreas de camping já fechados e, por causa disso, ficamos sozinhos no quarto na primeira noite. Na segunda, o quarto foi dividido com uma jovem chilena e duas americanas.

Aliás, a idade média das pessoas nas trilhas calculei em uns 30 anos. São muitos jovens de várias nacionalidades (só encontrei duas brasileiras), com seus mochilões e todos os acessórios possíveis e imaginários para caminhadas e acampamentos.
São pessoas que rodam o mundo para fazer trilhas e têm isso por esporte. Eu estava ali para conhecer o lugar. Eles também tinham o mesmo objetivo, acrescentado do trekking em si.
Assim como corro por prazer, eles faziam aquelas trilhas por prazer.

Pois bem. Deixamos nossas coisas no quarto e partimos para nossa primeira trilha: o Glaciar Grey.

Comecei a caminhada  com casacos, luvas, mas rapidamente me desfiz de tudo porque, felizmente o dia estava lindo e quente.
Claro que quando parava para tirar fotos ou simplesmente apreciar a paisagem, o vento frio batia e me obrigava a continuar caminhando.
A trilha do Glaciar Grey é tida como “dificuldade média”. São 11km  para o glaciar, que levariam 3,5h de caminhada. Eles fazem esse cálculo de tempo baseado nas pessoas "comuns" e é impressionante como é exato.


Sofrendo um pouquinho nas trilhas





Lagoa Los Patos




Detalhes pelo caminho

Com 2 horas de caminhada por uma trilha estreita, com subidas, descidas, pedras, a bonita Lagoa dos Patos no meio, finalmente chegamos ao Lago Grey.
Uma vista lindíssima de onde já dava pra ver o glaciar. 


Lago Grey e o Glaciar






Paramos, tiramos fotos e admiramos toda aquela maravilha. A vontade era ficar até os olhos cansarem, mas o vento frio nos forçou a continuar.


Sede? Água mineral geladinha in natura

Ainda caminhamos mais 50 minutos mas decidimos dar meia volta antes de chegarmos ao glaciar, pois teríamos que fazer todo o percurso de volta.


Lago Pehoé

Decisão acertada. Um casal que foi até o final só chegou de volta ao refúgio já à noite.

Cheguei exausta! 
Foram ao todo 5:30h caminhando.  Muito mais cansativo que correr....

O jantar do alojamento foi muitíssimo bem vindo.


Repor as energias

Aquele meu primeiro dia de trilha foi especial não somente por estar em meio àquela natureza linda de morrer, mas também por ser meu aniversário.
E com certeza não poderia existir outro lugar no mundo tão especial para eu estar.



Brinde especial

Mas a comemoração não pode estender-se, pois precisávamos dormir para enfrentarmos o nosso 2o dia de trilha.


Regra não estabelecida, mas cumprida por todos no final da noite no refúgio: sapatos nos corredores